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Qual a diferença entre Mounjaro e Retatrutida: tudo o que você precisa saber

Foto do escritor: Fernanda Guide
Fernanda Guide
5 de jan.
8 min de leitura

Atualizado: há 6 horas

Os medicamentos injetáveis para controle do peso e tratamento de distúrbios metabólicos vêm ganhando enorme destaque nos últimos anos. Entre os nomes mais comentados estão Mounjaro e Retatrutida, frequentemente citados como “medicamentos de nova geração” para obesidade, resistência à insulina e diabetes tipo 2.


Apesar de muitas pessoas acharem que eles são parecidos ou até equivalentes, existem diferenças importantes entre Mounjaro e Retatrutida, tanto no mecanismo de ação quanto no estágio de uso clínico, eficácia esperada e perfil de segurança.

Neste artigo, você vai entender de forma clara, atualizada e baseada em ciência qual a diferença entre Mounjaro e Retatrutida, como cada um funciona no organismo, quais são seus benefícios potenciais e quais cuidados devem ser considerados na prática clínica e nutricional.

Resposta rápida: o Mounjaro (tirzepatida) age em 2 hormônios ligados à fome e à glicose e já é aprovado no Brasil para diabetes tipo 2 e obesidade. A Retatrutida age em 3 hormônios, mostrou perda de peso ainda maior nos estudos, mas até outubro de 2026 não tem aprovação em nenhum país.

Atualizado em outubro de 2026 pela nutricionista Fernanda Guide, de Belo Horizonte.


Qual a diferença entre Mounjaro e Retatrutida: tudo o que você precisa saber
Qual a diferença entre Mounjaro e Retatrutida: tudo o que você precisa saber

Mounjaro x Retatrutida: comparativo rápido

  • Princípio ativo: Mounjaro é a tirzepatida; a Retatrutida é a própria retatrutida. Os dois são da Eli Lilly.

  • Mecanismo: o Mounjaro age em 2 hormônios (GIP e GLP-1); a Retatrutida age em 3 (GIP, GLP-1 e glucagon).

  • Situação no Brasil: o Mounjaro é aprovado pela Anvisa; a Retatrutida não tem registro e segue em estudos de fase 3.

  • Perda de peso nos estudos: cerca de 15% a 22% com o Mounjaro; cerca de 20% a 28% com a Retatrutida, conforme o grupo estudado.

  • Forma de uso: os dois são injeções semanais, aplicadas sob a pele.

  • Efeitos mais comuns: náusea, vômito, diarreia ou intestino preso, nos dois casos.


O que mudou em 2026

Em 2026, a Eli Lilly divulgou os resultados dos principais estudos de fase 3 da retatrutida. Em pessoas com obesidade e sem diabetes, a perda média de peso chegou a cerca de 28% em 80 semanas com a dose mais alta. Em pessoas com diabetes tipo 2, a perda foi menor, em torno de 21%.

Mesmo com esses resultados, a retatrutida ainda não foi aprovada em nenhum país. Em julho de 2026, a Anvisa reforçou que o medicamento é experimental, que a fabricante ainda não pediu registro e que não há previsão de chegada ao Brasil.


O que é Mounjaro?


O Mounjaro é o nome comercial da tirzepatida, medicamento da Eli Lilly aprovado no Brasil para diabetes tipo 2 desde 2023 e, desde junho de 2025, também para o tratamento da obesidade e do sobrepeso com comorbidades, sempre com prescrição médica.


Como o Mounjaro funciona?


A tirzepatida é um agonista duplo de dois hormônios intestinais fundamentais para o metabolismo energético:


  • GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1)

  • GIP (polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose)


Esses hormônios fazem parte do sistema incretínico e atuam diretamente em:


  • Controle do apetite e da saciedade

  • Redução do esvaziamento gástrico

  • Aumento da secreção de insulina dependente da glicose

  • Redução da secreção de glucagon

  • Melhora da sensibilidade à insulina


Na prática, o Mounjaro reduz a fome, melhora o controle glicêmico e favorece a perda de peso, especialmente quando associado a mudanças no comportamento alimentar.


O que é Retatrutida?


A Retatrutida é um medicamento ainda em fase de estudos clínicos, considerado uma evolução dos agonistas incretínicos atuais.


Como a Retatrutida funciona?


Diferente do Mounjaro, a Retatrutida atua como um agonista triplo, estimulando simultaneamente:


  • GLP-1

  • GIP

  • Glucagon


Esse mecanismo triplo faz com que a Retatrutida atue não apenas no apetite e na glicemia, mas também de forma mais intensa no gasto energético e na oxidação de gordura.


O glucagon, quando ativado de forma controlada, pode:


  • Aumentar o gasto calórico

  • Estimular a lipólise

  • Favorecer maior perda de gordura corporal


Por isso, a Retatrutida vem sendo chamada de um possível “medicamento metabólico completo”, com impacto sobre peso, glicemia, perfil lipídico e composição corporal.


Diferença entre Mounjaro e Retatrutida na prática


Mecanismo de ação: dupla vs. tripla ativação hormonal

A principal diferença entre Mounjaro e Retatrutida está no número de receptores hormonais ativados:


  • Mounjaro → ativa GLP-1 + GIP

  • Retatrutida → ativa GLP-1 + GIP + Glucagon


Isso significa que a Retatrutida tem um potencial teórico maior de perda de peso, especialmente por estimular também o gasto energético, e não apenas a redução do apetite.


Eficácia para emagrecimento


Mounjaro


Estudos clínicos mostram que o Mounjaro pode levar a uma perda de 15% a 22% do peso corporal, dependendo da dose, do tempo de uso e do perfil do paciente.

Os principais fatores que contribuem para o emagrecimento com Mounjaro são:


  • Redução importante da fome

  • Menor compulsão alimentar

  • Melhor controle glicêmico

  • Facilitação da adesão ao plano alimentar


Retatrutida


Nos estudos iniciais, a Retatrutida demonstrou perdas de peso ainda mais expressivas, em alguns casos ultrapassando 25% do peso corporal.

Esse resultado parece estar ligado a:


  • Maior redução do apetite

  • Aumento do gasto energético

  • Maior mobilização de gordura corporal


A retatrutida ainda não está aprovada para uso em nenhum país e segue em estudos clínicos. Por isso, qualquer produto vendido hoje com esse nome é irregular.


Controle glicêmico e resistência à insulina

Ambos os medicamentos apresentam impacto positivo sobre o metabolismo da glicose:


  • Mounjaro tem excelente eficácia no controle do diabetes tipo 2

  • Retatrutida também mostra melhora expressiva da glicemia, mas seu foco principal parece ser o controle metabólico global, e não apenas a glicose


Para pacientes com diabetes tipo 2, o Mounjaro atualmente é a opção com maior respaldo clínico e segurança estabelecida.


Perfil de efeitos colaterais


Efeitos colaterais do Mounjaro

Os efeitos mais comuns incluem:


  • Náuseas

  • Vômitos

  • Diarreia ou constipação

  • Sensação de estufamento

  • Redução importante do apetite


Esses efeitos costumam ser dose-dependentes e melhoram com o ajuste gradual da dose e acompanhamento nutricional adequado.

Efeitos colaterais da Retatrutida


Como medicamento em estudo, os dados ainda estão sendo consolidados, mas os efeitos relatados incluem:


  • Sintomas gastrointestinais semelhantes aos do Mounjaro

  • Possível maior impacto gastrointestinal devido à ativação do glucagon

  • Necessidade de monitoramento cuidadoso da massa magra


Isso reforça a importância de estratégias nutricionais bem estruturadas, especialmente em relação à ingestão proteica e ao comportamento alimentar.


Mounjaro ou Retatrutida: qual escolher?

Quando o Mounjaro pode ser mais indicado?


  • Pacientes com diabetes tipo 2

  • Pessoas com obesidade associada à resistência à insulina

  • Quem busca uma opção já disponível, com estudos robustos

  • Pacientes que se beneficiam mais do controle do apetite do que do aumento do gasto energético


Quando a Retatrutida pode ser uma opção no futuro?


  • Pacientes com obesidade grave e dificuldade extrema de perda de peso

  • Pessoas com metabolismo muito adaptado

  • Casos em que o aumento do gasto energético seja um diferencial

  • Situações em que novas abordagens metabólicas sejam necessárias


O papel da nutrição no uso de Mounjaro e Retatrutida


Nenhum desses medicamentos deve ser encarado como solução isolada. Do ponto de vista da nutrição comportamental e clínica, é fundamental:


  • Trabalhar sinais de fome e saciedade

  • Prevenir restrições excessivas

  • Evitar perda de massa muscular

  • Ajustar ingestão proteica e micronutrientes

  • Tratar a relação com a comida


Medicamentos podem facilitar o processo, mas não substituem o cuidado nutricional individualizado.

Importante: Mounjaro e Retatrutida são medicamentos de prescrição médica. Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação do médico. A nutricionista atua em conjunto, cuidando da alimentação durante o tratamento.


A diferença entre Mounjaro e Retatrutida vai muito além do nome. Enquanto o Mounjaro já é uma realidade clínica consolidada, a Retatrutida representa um avanço promissor, com potencial de atuar de forma ainda mais ampla no metabolismo energético.


Ambos reforçam uma mensagem importante: o tratamento da obesidade está evoluindo, mas o sucesso a longo prazo depende da integração entre medicamento, nutrição, comportamento alimentar e estilo de vida.


A importância do acompanhamento da nutricionista no uso de Mounjaro e Retatrutida


O uso de medicamentos como Mounjaro e Retatrutida reforça uma verdade cada vez mais clara na ciência da obesidade: o tratamento não pode ser apenas medicamentoso. A atuação da nutricionista é essencial para garantir segurança, eficácia e, principalmente, resultados sustentáveis a longo prazo.


Esses fármacos alteram profundamente a fisiologia da fome, da saciedade e do metabolismo energético. Sem acompanhamento nutricional adequado, o paciente pode enfrentar riscos importantes, como perda excessiva de massa muscular, deficiências nutricionais, relação disfuncional com a comida e efeito rebote após a suspensão do medicamento.


Ajuste individualizado da alimentação


A nutricionista é a profissional capacitada para adaptar a alimentação à nova resposta do organismo provocada pelos agonistas incretínicos. Com a redução do apetite, muitos pacientes passam a comer menos do que o necessário, o que pode levar a:


  • Baixa ingestão proteica

  • Déficit de micronutrientes

  • Fadiga, queda de cabelo e perda de massa magra


O plano alimentar precisa ser estratégico, priorizando densidade nutricional, proteína de alta qualidade, fibras e micronutrientes essenciais, respeitando o momento clínico e metabólico de cada pessoa.


Prevenção da perda de massa muscular


Um dos maiores desafios no emagrecimento medicamentoso é preservar a massa magra. A nutricionista atua diretamente na:


  • Definição da quantidade ideal de proteína

  • Distribuição adequada das refeições

  • Orientação nutricional associada à atividade física

  • Monitoramento da composição corporal


Isso é fundamental tanto no uso do Mounjaro quanto, futuramente, da Retatrutida, que pode aumentar ainda mais o gasto energético.


Nutrição comportamental e relação com a comida


Outro ponto central é o cuidado com o comportamento alimentar. Medicamentos reduzem a fome fisiológica, mas não tratam, sozinhos, a fome emocional, a compulsão e crenças alimentares disfuncionais.

A nutricionista trabalha para:


  • Reconectar o paciente aos sinais de fome e saciedade

  • Evitar padrões de restrição extrema

  • Reduzir o medo de comer

  • Construir autonomia alimentar


Esse processo é essencial para que o emagrecimento não seja apenas rápido, mas sustentável e saudável.


Educação nutricional e adesão ao tratamento


A adesão ao tratamento melhora significativamente quando o paciente entende:


  • Como o medicamento age no corpo

  • Por que determinadas escolhas alimentares são importantes

  • Como lidar com efeitos colaterais gastrointestinais

  • Como organizar a rotina alimentar no dia a dia


A nutricionista traduz a ciência em prática, ajudando o paciente a se sentir seguro, acolhido e protagonista do próprio cuidado.


Perguntas frequentes

A Retatrutida já pode ser comprada no Brasil?

Não. Até outubro de 2026, a retatrutida não tem registro na Anvisa nem em nenhum outro país. Em julho de 2026, a Anvisa alertou que o medicamento ainda é experimental e que produtos vendidos pela internet são irregulares, sem garantia de composição, dose ou segurança.

Qual emagrece mais, Mounjaro ou Retatrutida?

Nos estudos de fase 3 divulgados em 2026, a retatrutida mostrou perda média de peso maior, de cerca de 20% a 28% conforme o grupo estudado. Com o Mounjaro, a perda média nos estudos chega a cerca de 22%. Estudos comparando os dois diretamente ainda estão em andamento.

O Mounjaro é aprovado para emagrecer no Brasil?

Sim. Em junho de 2025, a Anvisa aprovou o Mounjaro (tirzepatida) para o tratamento de obesidade e de sobrepeso com comorbidades, além do diabetes tipo 2, indicação aprovada desde 2023. O uso deve ser sempre com prescrição e acompanhamento médico.

Quais são os efeitos colaterais mais comuns?

Os mais comuns são náusea, vômito, diarreia ou intestino preso e sensação de estufamento, principalmente no início do tratamento e nos aumentos de dose. Os estudos com a retatrutida mostram efeitos gastrointestinais parecidos.

Preciso de nutricionista se usar Mounjaro?

É muito recomendado. Com a fome reduzida, é comum comer pouca proteína e poucos nutrientes, o que favorece perda de massa muscular, cansaço e queda de cabelo. A nutricionista ajusta o plano alimentar para preservar músculos, evitar deficiências e manter os resultados quando o medicamento for suspenso.


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