Qual a diferença entre Mounjaro e Retatrutida: tudo o que você precisa saber

Atualizado: há 6 horas
Os medicamentos injetáveis para controle do peso e tratamento de distúrbios metabólicos vêm ganhando enorme destaque nos últimos anos. Entre os nomes mais comentados estão Mounjaro e Retatrutida, frequentemente citados como “medicamentos de nova geração” para obesidade, resistência à insulina e diabetes tipo 2.
Apesar de muitas pessoas acharem que eles são parecidos ou até equivalentes, existem diferenças importantes entre Mounjaro e Retatrutida, tanto no mecanismo de ação quanto no estágio de uso clínico, eficácia esperada e perfil de segurança.
Neste artigo, você vai entender de forma clara, atualizada e baseada em ciência qual a diferença entre Mounjaro e Retatrutida, como cada um funciona no organismo, quais são seus benefícios potenciais e quais cuidados devem ser considerados na prática clínica e nutricional.
Resposta rápida: o Mounjaro (tirzepatida) age em 2 hormônios ligados à fome e à glicose e já é aprovado no Brasil para diabetes tipo 2 e obesidade. A Retatrutida age em 3 hormônios, mostrou perda de peso ainda maior nos estudos, mas até outubro de 2026 não tem aprovação em nenhum país.
Atualizado em outubro de 2026 pela nutricionista Fernanda Guide, de Belo Horizonte.

Mounjaro x Retatrutida: comparativo rápido
Princípio ativo: Mounjaro é a tirzepatida; a Retatrutida é a própria retatrutida. Os dois são da Eli Lilly.
Mecanismo: o Mounjaro age em 2 hormônios (GIP e GLP-1); a Retatrutida age em 3 (GIP, GLP-1 e glucagon).
Situação no Brasil: o Mounjaro é aprovado pela Anvisa; a Retatrutida não tem registro e segue em estudos de fase 3.
Perda de peso nos estudos: cerca de 15% a 22% com o Mounjaro; cerca de 20% a 28% com a Retatrutida, conforme o grupo estudado.
Forma de uso: os dois são injeções semanais, aplicadas sob a pele.
Efeitos mais comuns: náusea, vômito, diarreia ou intestino preso, nos dois casos.
O que mudou em 2026
Em 2026, a Eli Lilly divulgou os resultados dos principais estudos de fase 3 da retatrutida. Em pessoas com obesidade e sem diabetes, a perda média de peso chegou a cerca de 28% em 80 semanas com a dose mais alta. Em pessoas com diabetes tipo 2, a perda foi menor, em torno de 21%.
Mesmo com esses resultados, a retatrutida ainda não foi aprovada em nenhum país. Em julho de 2026, a Anvisa reforçou que o medicamento é experimental, que a fabricante ainda não pediu registro e que não há previsão de chegada ao Brasil.
Quer saber mais sobre o Mounjaro? Leia também Mounjaro: a quem é indicado, como funciona e quais os efeitos e Mounjaro é o futuro da perda de peso?.
O que é Mounjaro?
O Mounjaro é o nome comercial da tirzepatida, medicamento da Eli Lilly aprovado no Brasil para diabetes tipo 2 desde 2023 e, desde junho de 2025, também para o tratamento da obesidade e do sobrepeso com comorbidades, sempre com prescrição médica.
Como o Mounjaro funciona?
A tirzepatida é um agonista duplo de dois hormônios intestinais fundamentais para o metabolismo energético:
GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1)
GIP (polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose)
Esses hormônios fazem parte do sistema incretínico e atuam diretamente em:
Controle do apetite e da saciedade
Redução do esvaziamento gástrico
Aumento da secreção de insulina dependente da glicose
Redução da secreção de glucagon
Melhora da sensibilidade à insulina
Na prática, o Mounjaro reduz a fome, melhora o controle glicêmico e favorece a perda de peso, especialmente quando associado a mudanças no comportamento alimentar.
O que é Retatrutida?
A Retatrutida é um medicamento ainda em fase de estudos clínicos, considerado uma evolução dos agonistas incretínicos atuais.
Como a Retatrutida funciona?
Diferente do Mounjaro, a Retatrutida atua como um agonista triplo, estimulando simultaneamente:
GLP-1
GIP
Glucagon
Esse mecanismo triplo faz com que a Retatrutida atue não apenas no apetite e na glicemia, mas também de forma mais intensa no gasto energético e na oxidação de gordura.
O glucagon, quando ativado de forma controlada, pode:
Aumentar o gasto calórico
Estimular a lipólise
Favorecer maior perda de gordura corporal
Por isso, a Retatrutida vem sendo chamada de um possível “medicamento metabólico completo”, com impacto sobre peso, glicemia, perfil lipídico e composição corporal.
Diferença entre Mounjaro e Retatrutida na prática
Mecanismo de ação: dupla vs. tripla ativação hormonal
A principal diferença entre Mounjaro e Retatrutida está no número de receptores hormonais ativados:
Mounjaro → ativa GLP-1 + GIP
Retatrutida → ativa GLP-1 + GIP + Glucagon
Isso significa que a Retatrutida tem um potencial teórico maior de perda de peso, especialmente por estimular também o gasto energético, e não apenas a redução do apetite.
Eficácia para emagrecimento
Mounjaro
Estudos clínicos mostram que o Mounjaro pode levar a uma perda de 15% a 22% do peso corporal, dependendo da dose, do tempo de uso e do perfil do paciente.
Os principais fatores que contribuem para o emagrecimento com Mounjaro são:
Redução importante da fome
Menor compulsão alimentar
Melhor controle glicêmico
Facilitação da adesão ao plano alimentar
Retatrutida
Nos estudos iniciais, a Retatrutida demonstrou perdas de peso ainda mais expressivas, em alguns casos ultrapassando 25% do peso corporal.
Esse resultado parece estar ligado a:
Maior redução do apetite
Aumento do gasto energético
Maior mobilização de gordura corporal
A retatrutida ainda não está aprovada para uso em nenhum país e segue em estudos clínicos. Por isso, qualquer produto vendido hoje com esse nome é irregular.
Controle glicêmico e resistência à insulina
Ambos os medicamentos apresentam impacto positivo sobre o metabolismo da glicose:
Mounjaro tem excelente eficácia no controle do diabetes tipo 2
Retatrutida também mostra melhora expressiva da glicemia, mas seu foco principal parece ser o controle metabólico global, e não apenas a glicose
Para pacientes com diabetes tipo 2, o Mounjaro atualmente é a opção com maior respaldo clínico e segurança estabelecida.
Perfil de efeitos colaterais
Efeitos colaterais do Mounjaro
Os efeitos mais comuns incluem:
Náuseas
Vômitos
Diarreia ou constipação
Sensação de estufamento
Redução importante do apetite
Esses efeitos costumam ser dose-dependentes e melhoram com o ajuste gradual da dose e acompanhamento nutricional adequado.
Efeitos colaterais da Retatrutida
Como medicamento em estudo, os dados ainda estão sendo consolidados, mas os efeitos relatados incluem:
Sintomas gastrointestinais semelhantes aos do Mounjaro
Possível maior impacto gastrointestinal devido à ativação do glucagon
Necessidade de monitoramento cuidadoso da massa magra
Isso reforça a importância de estratégias nutricionais bem estruturadas, especialmente em relação à ingestão proteica e ao comportamento alimentar.
Mounjaro ou Retatrutida: qual escolher?
Quando o Mounjaro pode ser mais indicado?
Pacientes com diabetes tipo 2
Pessoas com obesidade associada à resistência à insulina
Quem busca uma opção já disponível, com estudos robustos
Pacientes que se beneficiam mais do controle do apetite do que do aumento do gasto energético
Quando a Retatrutida pode ser uma opção no futuro?
Pacientes com obesidade grave e dificuldade extrema de perda de peso
Pessoas com metabolismo muito adaptado
Casos em que o aumento do gasto energético seja um diferencial
Situações em que novas abordagens metabólicas sejam necessárias
O papel da nutrição no uso de Mounjaro e Retatrutida
Nenhum desses medicamentos deve ser encarado como solução isolada. Do ponto de vista da nutrição comportamental e clínica, é fundamental:
Trabalhar sinais de fome e saciedade
Prevenir restrições excessivas
Evitar perda de massa muscular
Ajustar ingestão proteica e micronutrientes
Tratar a relação com a comida
Medicamentos podem facilitar o processo, mas não substituem o cuidado nutricional individualizado.
Importante: Mounjaro e Retatrutida são medicamentos de prescrição médica. Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação do médico. A nutricionista atua em conjunto, cuidando da alimentação durante o tratamento.
A diferença entre Mounjaro e Retatrutida vai muito além do nome. Enquanto o Mounjaro já é uma realidade clínica consolidada, a Retatrutida representa um avanço promissor, com potencial de atuar de forma ainda mais ampla no metabolismo energético.
Ambos reforçam uma mensagem importante: o tratamento da obesidade está evoluindo, mas o sucesso a longo prazo depende da integração entre medicamento, nutrição, comportamento alimentar e estilo de vida.
A importância do acompanhamento da nutricionista no uso de Mounjaro e Retatrutida
O uso de medicamentos como Mounjaro e Retatrutida reforça uma verdade cada vez mais clara na ciência da obesidade: o tratamento não pode ser apenas medicamentoso. A atuação da nutricionista é essencial para garantir segurança, eficácia e, principalmente, resultados sustentáveis a longo prazo.
Esses fármacos alteram profundamente a fisiologia da fome, da saciedade e do metabolismo energético. Sem acompanhamento nutricional adequado, o paciente pode enfrentar riscos importantes, como perda excessiva de massa muscular, deficiências nutricionais, relação disfuncional com a comida e efeito rebote após a suspensão do medicamento.
Ajuste individualizado da alimentação
A nutricionista é a profissional capacitada para adaptar a alimentação à nova resposta do organismo provocada pelos agonistas incretínicos. Com a redução do apetite, muitos pacientes passam a comer menos do que o necessário, o que pode levar a:
Baixa ingestão proteica
Déficit de micronutrientes
Fadiga, queda de cabelo e perda de massa magra
O plano alimentar precisa ser estratégico, priorizando densidade nutricional, proteína de alta qualidade, fibras e micronutrientes essenciais, respeitando o momento clínico e metabólico de cada pessoa.
Prevenção da perda de massa muscular
Um dos maiores desafios no emagrecimento medicamentoso é preservar a massa magra. A nutricionista atua diretamente na:
Definição da quantidade ideal de proteína
Distribuição adequada das refeições
Orientação nutricional associada à atividade física
Monitoramento da composição corporal
Isso é fundamental tanto no uso do Mounjaro quanto, futuramente, da Retatrutida, que pode aumentar ainda mais o gasto energético.
Nutrição comportamental e relação com a comida
Outro ponto central é o cuidado com o comportamento alimentar. Medicamentos reduzem a fome fisiológica, mas não tratam, sozinhos, a fome emocional, a compulsão e crenças alimentares disfuncionais.
A nutricionista trabalha para:
Reconectar o paciente aos sinais de fome e saciedade
Evitar padrões de restrição extrema
Reduzir o medo de comer
Construir autonomia alimentar
Esse processo é essencial para que o emagrecimento não seja apenas rápido, mas sustentável e saudável.
Educação nutricional e adesão ao tratamento
A adesão ao tratamento melhora significativamente quando o paciente entende:
Como o medicamento age no corpo
Por que determinadas escolhas alimentares são importantes
Como lidar com efeitos colaterais gastrointestinais
Como organizar a rotina alimentar no dia a dia
A nutricionista traduz a ciência em prática, ajudando o paciente a se sentir seguro, acolhido e protagonista do próprio cuidado.
Perguntas frequentes
A Retatrutida já pode ser comprada no Brasil?
Não. Até outubro de 2026, a retatrutida não tem registro na Anvisa nem em nenhum outro país. Em julho de 2026, a Anvisa alertou que o medicamento ainda é experimental e que produtos vendidos pela internet são irregulares, sem garantia de composição, dose ou segurança.
Qual emagrece mais, Mounjaro ou Retatrutida?
Nos estudos de fase 3 divulgados em 2026, a retatrutida mostrou perda média de peso maior, de cerca de 20% a 28% conforme o grupo estudado. Com o Mounjaro, a perda média nos estudos chega a cerca de 22%. Estudos comparando os dois diretamente ainda estão em andamento.
O Mounjaro é aprovado para emagrecer no Brasil?
Sim. Em junho de 2025, a Anvisa aprovou o Mounjaro (tirzepatida) para o tratamento de obesidade e de sobrepeso com comorbidades, além do diabetes tipo 2, indicação aprovada desde 2023. O uso deve ser sempre com prescrição e acompanhamento médico.
Quais são os efeitos colaterais mais comuns?
Os mais comuns são náusea, vômito, diarreia ou intestino preso e sensação de estufamento, principalmente no início do tratamento e nos aumentos de dose. Os estudos com a retatrutida mostram efeitos gastrointestinais parecidos.
Preciso de nutricionista se usar Mounjaro?
É muito recomendado. Com a fome reduzida, é comum comer pouca proteína e poucos nutrientes, o que favorece perda de massa muscular, cansaço e queda de cabelo. A nutricionista ajusta o plano alimentar para preservar músculos, evitar deficiências e manter os resultados quando o medicamento for suspenso.

Agende uma Consulta: Telefone: (31) 98418-9793
Atualizações semanais:
Instagram: @fernandaguide.nutriguide
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