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Qual a diferença entre Mounjaro e Retatrutida: tudo o que você precisa saber

jan 5

6 min de leitura

Os medicamentos injetáveis para controle do peso e tratamento de distúrbios metabólicos vêm ganhando enorme destaque nos últimos anos. Entre os nomes mais comentados estão Mounjaro e Retatrutida, frequentemente citados como “medicamentos de nova geração” para obesidade, resistência à insulina e diabetes tipo 2.


Apesar de muitas pessoas acharem que eles são parecidos ou até equivalentes, existem diferenças importantes entre Mounjaro e Retatrutida, tanto no mecanismo de ação quanto no estágio de uso clínico, eficácia esperada e perfil de segurança.

Neste artigo, você vai entender de forma clara, atualizada e baseada em ciência qual a diferença entre Mounjaro e Retatrutida, como cada um funciona no organismo, quais são seus benefícios potenciais e quais cuidados devem ser considerados na prática clínica e nutricional.


Qual a diferença entre Mounjaro e Retatrutida: tudo o que você precisa saber
Qual a diferença entre Mounjaro e Retatrutida: tudo o que você precisa saber

O que é Mounjaro?


O Mounjaro é o nome comercial da tirzepatida, um medicamento já aprovado em diversos países para o tratamento do diabetes tipo 2 e amplamente utilizado de forma off-label para emagrecimento.


Como o Mounjaro funciona?


A tirzepatida é um agonista duplo de dois hormônios intestinais fundamentais para o metabolismo energético:


  • GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1)

  • GIP (polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose)


Esses hormônios fazem parte do sistema incretínico e atuam diretamente em:


  • Controle do apetite e da saciedade

  • Redução do esvaziamento gástrico

  • Aumento da secreção de insulina dependente da glicose

  • Redução da secreção de glucagon

  • Melhora da sensibilidade à insulina


Na prática, o Mounjaro reduz a fome, melhora o controle glicêmico e favorece a perda de peso, especialmente quando associado a mudanças no comportamento alimentar.


O que é Retatrutida?


A Retatrutida é um medicamento ainda em fase de estudos clínicos, considerado uma evolução dos agonistas incretínicos atuais.


Como a Retatrutida funciona?


Diferente do Mounjaro, a Retatrutida atua como um agonista triplo, estimulando simultaneamente:


  • GLP-1

  • GIP

  • Glucagon


Esse mecanismo triplo faz com que a Retatrutida atue não apenas no apetite e na glicemia, mas também de forma mais intensa no gasto energético e na oxidação de gordura.


O glucagon, quando ativado de forma controlada, pode:


  • Aumentar o gasto calórico

  • Estimular a lipólise

  • Favorecer maior perda de gordura corporal


Por isso, a Retatrutida vem sendo chamada de um possível “medicamento metabólico completo”, com impacto sobre peso, glicemia, perfil lipídico e composição corporal.


Diferença entre Mounjaro e Retatrutida na prática


Mecanismo de ação: dupla vs. tripla ativação hormonal

A principal diferença entre Mounjaro e Retatrutida está no número de receptores hormonais ativados:


  • Mounjaro → ativa GLP-1 + GIP

  • Retatrutida → ativa GLP-1 + GIP + Glucagon


Isso significa que a Retatrutida tem um potencial teórico maior de perda de peso, especialmente por estimular também o gasto energético, e não apenas a redução do apetite.


Eficácia para emagrecimento


Mounjaro


Estudos clínicos mostram que o Mounjaro pode levar a uma perda de 15% a 22% do peso corporal, dependendo da dose, do tempo de uso e do perfil do paciente.

Os principais fatores que contribuem para o emagrecimento com Mounjaro são:


  • Redução importante da fome

  • Menor compulsão alimentar

  • Melhor controle glicêmico

  • Facilitação da adesão ao plano alimentar


Retatrutida


Nos estudos iniciais, a Retatrutida demonstrou perdas de peso ainda mais expressivas, em alguns casos ultrapassando 25% do peso corporal.

Esse resultado parece estar ligado a:


  • Maior redução do apetite

  • Aumento do gasto energético

  • Maior mobilização de gordura corporal


É importante reforçar que a Retatrutida ainda não está amplamente disponível, pois segue em investigação científica.


Controle glicêmico e resistência à insulina

Ambos os medicamentos apresentam impacto positivo sobre o metabolismo da glicose:


  • Mounjaro tem excelente eficácia no controle do diabetes tipo 2

  • Retatrutida também mostra melhora expressiva da glicemia, mas seu foco principal parece ser o controle metabólico global, e não apenas a glicose


Para pacientes com diabetes tipo 2, o Mounjaro atualmente é a opção com maior respaldo clínico e segurança estabelecida.


Perfil de efeitos colaterais


Efeitos colaterais do Mounjaro

Os efeitos mais comuns incluem:


  • Náuseas

  • Vômitos

  • Diarreia ou constipação

  • Sensação de estufamento

  • Redução importante do apetite


Esses efeitos costumam ser dose-dependentes e melhoram com o ajuste gradual da dose e acompanhamento nutricional adequado.

Efeitos colaterais da Retatrutida


Como medicamento em estudo, os dados ainda estão sendo consolidados, mas os efeitos relatados incluem:


  • Sintomas gastrointestinais semelhantes aos do Mounjaro

  • Possível maior impacto gastrointestinal devido à ativação do glucagon

  • Necessidade de monitoramento cuidadoso da massa magra


Isso reforça a importância de estratégias nutricionais bem estruturadas, especialmente em relação à ingestão proteica e ao comportamento alimentar.


Mounjaro ou Retatrutida: qual escolher?

Quando o Mounjaro pode ser mais indicado?


  • Pacientes com diabetes tipo 2

  • Pessoas com obesidade associada à resistência à insulina

  • Quem busca uma opção já disponível, com estudos robustos

  • Pacientes que se beneficiam mais do controle do apetite do que do aumento do gasto energético


Quando a Retatrutida pode ser uma opção no futuro?


  • Pacientes com obesidade grave e dificuldade extrema de perda de peso

  • Pessoas com metabolismo muito adaptado

  • Casos em que o aumento do gasto energético seja um diferencial

  • Situações em que novas abordagens metabólicas sejam necessárias


O papel da nutrição no uso de Mounjaro e Retatrutida


Nenhum desses medicamentos deve ser encarado como solução isolada. Do ponto de vista da nutrição comportamental e clínica, é fundamental:


  • Trabalhar sinais de fome e saciedade

  • Prevenir restrições excessivas

  • Evitar perda de massa muscular

  • Ajustar ingestão proteica e micronutrientes

  • Tratar a relação com a comida


Medicamentos podem facilitar o processo, mas não substituem o cuidado nutricional individualizado.


A diferença entre Mounjaro e Retatrutida vai muito além do nome. Enquanto o Mounjaro já é uma realidade clínica consolidada, a Retatrutida representa um avanço promissor, com potencial de atuar de forma ainda mais ampla no metabolismo energético.


Ambos reforçam uma mensagem importante: o tratamento da obesidade está evoluindo, mas o sucesso a longo prazo depende da integração entre medicamento, nutrição, comportamento alimentar e estilo de vida.


A importância do acompanhamento da nutricionista no uso de Mounjaro e Retatrutida


O uso de medicamentos como Mounjaro e Retatrutida reforça uma verdade cada vez mais clara na ciência da obesidade: o tratamento não pode ser apenas medicamentoso. A atuação da nutricionista é essencial para garantir segurança, eficácia e, principalmente, resultados sustentáveis a longo prazo.


Esses fármacos alteram profundamente a fisiologia da fome, da saciedade e do metabolismo energético. Sem acompanhamento nutricional adequado, o paciente pode enfrentar riscos importantes, como perda excessiva de massa muscular, deficiências nutricionais, relação disfuncional com a comida e efeito rebote após a suspensão do medicamento.


Ajuste individualizado da alimentação


A nutricionista é a profissional capacitada para adaptar a alimentação à nova resposta do organismo provocada pelos agonistas incretínicos. Com a redução do apetite, muitos pacientes passam a comer menos do que o necessário, o que pode levar a:


  • Baixa ingestão proteica

  • Déficit de micronutrientes

  • Fadiga, queda de cabelo e perda de massa magra


O plano alimentar precisa ser estratégico, priorizando densidade nutricional, proteína de alta qualidade, fibras e micronutrientes essenciais, respeitando o momento clínico e metabólico de cada pessoa.


Prevenção da perda de massa muscular


Um dos maiores desafios no emagrecimento medicamentoso é preservar a massa magra. A nutricionista atua diretamente na:


  • Definição da quantidade ideal de proteína

  • Distribuição adequada das refeições

  • Orientação nutricional associada à atividade física

  • Monitoramento da composição corporal


Isso é fundamental tanto no uso do Mounjaro quanto, futuramente, da Retatrutida, que pode aumentar ainda mais o gasto energético.


Nutrição comportamental e relação com a comida


Outro ponto central é o cuidado com o comportamento alimentar. Medicamentos reduzem a fome fisiológica, mas não tratam, sozinhos, a fome emocional, a compulsão e crenças alimentares disfuncionais.

A nutricionista trabalha para:


  • Reconectar o paciente aos sinais de fome e saciedade

  • Evitar padrões de restrição extrema

  • Reduzir o medo de comer

  • Construir autonomia alimentar


Esse processo é essencial para que o emagrecimento não seja apenas rápido, mas sustentável e saudável.


Educação nutricional e adesão ao tratamento


A adesão ao tratamento melhora significativamente quando o paciente entende:


  • Como o medicamento age no corpo

  • Por que determinadas escolhas alimentares são importantes

  • Como lidar com efeitos colaterais gastrointestinais

  • Como organizar a rotina alimentar no dia a dia


A nutricionista traduz a ciência em prática, ajudando o paciente a se sentir seguro, acolhido e protagonista do próprio cuidado.


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